Encontro global sobre pessoas refugiadas termina com novos compromissos de solidariedade

Mais de 30 novos compromissos foram assumidos na segunda Revisão de Progresso do Fórum Global sobre Refugiados.

Após três dias de colaboração, foi concluída em 17 de dezembro de 2025 a segunda Revisão de Progresso do Fórum Global sobre Refugiados, que reafirma a solidariedade internacional e o compromisso de melhorar a vida das populações deslocadas à força e das comunidades que as acolhem.

Os novos compromissos foram anunciados em áreas como o acesso de refugiados ao emprego e à educação, bem como soluções duradouras, incluindo a sustentabilidade do retorno voluntário aos países de origem e vias seguras para países terceiros. Com isso, o total de compromissos e promessas desde o primeiro Fórum Global sobre Refugiados, em 2019, chega a quase 3,5 mil, distribuídos por 47 áreas temáticas e regionais, envolvendo mais de 1,3 mil atores, incluindo Estados.

“Este é o fórum sobre refugiados mais importante do mundo. Ouvi aqui, de forma clara e contundente, o compromisso com a proteção internacional das pessoas refugiadas e com o direito de solicitar asilo. Esses princípios permanecem os mesmos, ainda que as ferramentas para gerenciá-los estejam evoluindo”, afirma o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi. “Foi um ano muito difícil do ponto de vista financeiro, sofremos impactos, mas não seremos enfraquecidos na defesa da entrega de assistência, da justiça e dos direitos.”

Os Estados continuaram a demonstrar liderança e engajamento fundamentais em relação aos refugiados. Em um compromisso significativo e inédito, a Síria assumiu a responsabilidade de apoiar retornos sustentáveis de refugiados e de promover melhores condições para retornos voluntários após mais de uma década de crise, complementada por contribuições de países anfitriões como o Líbano. A Suécia assumiu o propósito de avançar na proteção e em soluções, ajudando os refugiados a acessar segurança e serviços onde quer que se encontrem, além de reduzir a necessidade de viagens perigosas. A Alemanha reafirmou seu apoio a políticas humanitárias, de desenvolvimento e de construção da paz, ao mesmo tempo em que apoiou planos nacionais essenciais de inclusão na Etiópia, no Quênia e na Mauritânia, além de prometer assistência ao Sudão e à Síria.

O setor privado também intensificou sua atuação com iniciativas como o inovador Produto de Investimento Negociado em Bolsa (ETP) da Swiss Cardano Foundation Impact, que utiliza tecnologia baseada em blockchain para direcionar receitas de investimentos regulamentados a programas para refugiados. Houve um compromisso de US$ 15 milhões do Comitê de Mulheres da USA for UNHCR, parceiro nacional de captação de recursos, para apoiar bolsas de estudo de educação superior para refugiados. A Fundação Grundfos comprometeu-se com US$ 3 milhões para expandir o mecanismo de financiamento inovador Project Flow, promovendo sistemas de água movidos a energia solar em contextos de refúgio. Parceiros filantrópicos avançaram soluções, incluindo a continuidade da defesa e do apoio financeiro das Mohammed Bin Rashid Al Maktoum Global Initiatives e o compromisso de US$ 10 milhões da Qatar Charity para o Fundo Islâmico Global para Refugiados. Empresas também ampliaram seu engajamento; o ANTA Group renovou sua parceria de três anos “Moving for Change” com o ACNUR para expandir o apoio a crianças e jovens deslocados em todo o mundo.

Grupos esportivos também desempenharam um papel fundamental, com a World Athletics comprometendo-se a apoiar atletas refugiados para os Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar 2026, o Campeonato Mundial de Atletismo de 2027 e além. A LIV Golf também lançou um modelo duplo de investimento, inédito, para apoiar programas de proteção, educação, saúde e esporte para integração de até um milhão de pessoas deslocadas.

Os próprios refugiados lideraram o caminho na busca por soluções, comprometendo-se a fortalecer sua participação nos programas globais de reassentamento e em vias seguras para países terceiros, garantindo que a experiência vivida do deslocamento molde políticas e impulsione o progresso. De fato, mais de 250 refugiados e pessoas com experiência direta de deslocamento e apatridia participaram da Revisão de Progresso, juntamente com organizações lideradas por refugiados. Suas vozes foram centrais nas discussões, assegurando que as soluções refletissem as prioridades daqueles mais afetados.

O haitiano Robert Montinard é líder e fundador da organização Mawon e esteve em Genebra para acompanhar as discussões da Revisão de Progresso do Fórum Global de Refugiados. Na ocasião, Bob participou de uma formação para captação de recursos. A Mawon já apoiou milhares de refugiados por meio de assistência jurídica, cultural e socioeconômica e realiza seus trabalhos por meio de doações.

“Reunimos com pessoas refugiadas de diversos lugares do mundo para debater sobre integração e também sobre financiamento. Não é tão simples [conseguir financiamento], mas vamos trabalhar para conseguir verba, porque não tem como uma associação liderada por refugiados e migrantes seguir sem apoio” comenta.

Duas pessoas conversam de forma descontraída em um ambiente interno de evento. Uma mulher sorri enquanto gesticula com a mão, usando óculos, um lenço rosa e roupas com estampas. Ao lado dela, um homem a escuta atentamente, vestindo um suéter marrom, calça verde e um gorro claro com faixas coloridas, além de um colar. Ele segura um celular e um crachá. Ao fundo, há painéis expositivos e outras pessoas desfocadas, indicando um espaço de encontro ou conferência.

Robert Montinard, ou Bob como é conhecido, foi deslocado devido à instabilidade que se seguiu ao terremoto de 2010 no Haiti e vive no Brasil desde então.

UNHCR/Pierre Albouy

Sobre a Revisão de Progresso do Fórum Global sobre Refugiados

O encontro – coorganizado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), e pela Suíça, e convocado conjuntamente por Colômbia, França, Japão, Jordânia e Uganda – ocorreu de 15 a 17 de dezembro no Centro Internacional de Conferências de Genebra (CICG). Reuniu quase 1,5 mil participantes de cerca de 150 países, incluindo altos funcionários governamentais, chefes de organizações internacionais, representantes da sociedade civil e líderes do setor privado.

Realizada no intervalo entre os Fóruns Globais sobre Refugiados, a Revisão de Progresso permanece como uma plataforma-chave para avançar os objetivos do Pacto Global sobre Refugiados – um marco para uma partilha de responsabilidades mais previsível e equitativa, adotado pelos Estados-membros em 2018. Os participantes analisaram os avanços em relação aos compromissos assumidos em fóruns anteriores e anunciaram novos compromissos para acelerar soluções.